‘Enquanto mulher negra, a gente está o tempo todo querendo se provar’, diz Clara Moneke

Anderson Souza

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Há um ano, Clara Moneke ainda estava se acostumando a ser reconhecida nas ruas, após sua estreia em novelas como a espevitada Kate de “Vai na Fé” (Globo). O papel lhe rendeu elogios da crítica e um fã-clube apaixonado nas redes sociais –e a fez chegar em um patamar bem diferente a seu segundo folhetim, “No Rancho Fundo”, na mesma emissora.

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“É uma responsabilidade não só com o público e com o mercado, mas também comigo”, avalia a atriz sobre essa mudança de status. “Sou uma atriz que vem do teatro. A linguagem da televisão eu aprendi fazendo ‘Vai na Fé’. Ainda estou aprendendo, na verdade. Então, poder impor respeito, batalhar por coisas que acho certas, dar voz a pessoas que não têm… É muito gostoso.”
“Todo mundo quer ter o reconhecimento e o respeito das pessoas, né?”, resume. “E é muito bom poder conquistar isso tão nova e em tão pouco tempo.”

Na nova trama, ela vive a batalhadora Caridade. Na palavras da atriz, trata-se de “uma jovem batalhadora, mas que não vive só de luta”. “Ela ama, namora, chora”, enumera. “Ela é muito real, é uma personagem muito real.”

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Caridade começa como uma garçonete que trabalha no Grande Hotel Budapeste, o mais chique de Lapão da Beirada, município fictício onde se passa a história. A intérprete adianta, no entanto, que vem uma virada por aí.

“Há uma reviravolta na vida dela que é totalmente fruto dessa força dela e da vontade que ela tem de mudar de vida, de querer melhorar a vida da família e de mostrar para o mundo e para a sociedade que ela é muito mais do que as pessoas acham que ela pode ser”, antecipa. “Acho que isso é um uma batalha de muitos brasileiros, a de conseguir mostrar o que você realmente é. E ela vai mostrar maravilhosamente bem, com muito sucesso e tem muita coisa boa pra vir.”

Nesse ponto, atriz e personagem se aproximam “demais, demais, demais”. “Enquanto mulher negra, a gente está o tempo todo querendo se provar, né?”, afirma. “A Caridade está nesse mesmo movimento, mas com muita personalidade, com muita certeza do que quer e com muita maturidade. A Caridade é um exemplo para mim, um exemplo de mulher.”

Para a personagem, Clara Moneke manteve os cabelos curtinhos, como havia cortado no final do ano passado. Cogitou-se usar uma peruca ou extensão de fios, mas, nos testes de caracterização, a equipe desistiu da ideia por considerar que a imagem combinava com o perfil de Caridade.

“Eu tinha cortado o cabelo antes de saber que faria a novela, quando aceitei não imaginei que eles iam me deixar assim porque é tão forte uma mulher preta, retinta, com cabelo curtíssimo, praticamente careca, em uma novela”, avalia. “É uma imagem muito provocativa é para a sociedade que dita o que é belo e bonito o tempo todo.”

“Eu não sou clarinha, sou toda pretona e ainda sem cabelo… E tenho certeza de que as pessoas vão ver isso enquanto belo”, prossegue. “Espero que sirva de inspiração para as mulheres. O que eu mais escuto é: ‘Nossa, meu sonho é cortar o cabelo assim, mas não tenho coragem’.”

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